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Out 13

No prólogo de Assim Falou Zaratustra, podemos ler a seguinte passagem: "Amo o que faz da sua virtude a sua tendência e o seu destino, pois assim, por sua virtude, quererá viver ainda e deixar de viver". No mesmo livro, no capítulo Das Alegrias e Paixões, podemos ler "Dantes tinhas paixões e chamava-lhes males. Agora, porém, só tens as tuas virtudes: nasceram das tuas paixões". O que quer dizer Nietzsche com estas duas frases?

A explicação é a seguinte: Nietzsche não considera as virtudes tal como a tradição judaico-cristã. As nossas paixões, isto é, as nossas inclinações e tendências, são as nossas virtudes para o filósofo alemão. Ao contrário do Cristianismo, Nietzsche não quer eliminar as nossas paixões, mas espiritualizá-las. Isso significa tornar as nossas paixões o nosso destino. Por exemplo, caso você adore escrever, caso essa seja a paixão que o consome, não tente eliminá-la, mas sim levá-la às últimas consequências: que ela seja a sua virtude e o sentido da sua vida. Sem meias medidas, sem moderação, deve tornar a sua virtude o seu destino. Não interessa se essa paixão é perigosa ou imoral, o que interessa é torná-la a sua virtude, tal como faz um atleta olímpico, que vive para o seu desporto e por ele sacrifica muitas coisas.

Qual é a sua paixão dominante? Pense bem nisso, pois cada um de nós tem uma inclinação, algo que adora acima de tudo. Depois de escolher a sua paixão, torne-a a sua virtude, a sua inclinação, a sua razão de viver. Contra as adversidades, mesmo que a sua virtude signifique viver perigosamente, sempre às portas da morte, que a sua virtude se torne o seu destino e toda a sua razão de viver. Eleve a sua virtude às alturas, que ela consuma todo o seu tempo.

O que ganha com espiritualizar a sua paixão? Vence o Niilismo, tem um sentido para a sua vida e uma razão para viver, torna-se superior ao resto dos homens, pois segue apenas o seu coração e não os costumes vigentes, e pode deixar a sua marca na história da humanidade, pois dedicar-se de todo o coração à sua virtude, tal como um atleta olímpico ou um escritor prolífico o faz, eleva-o socialmente. Mais importante ainda: torna-se quem realmente é, isto é, segue-se a si próprio e não ao rebanho em que se tornou a sociedade contemporânea. Nada mais sublime existe do que sermos nós próprios!
publicado por Dicas, Informações e Oportunidades às 17:01

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