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Out 13

Desde sempre que os homens procuram definir o que é a vida. A posição de Darwin sobre este assunto acabou por vencer, e ainda hoje encaramos a vida tal como ele: a vida como vontade de sobrevivência. Mas houve um filósofo para o qual a vida é vontade de poder, e esse filósofo foi Friedrich Nietzsche (1844-1900).

Nietzsche procurou definir o que é estar vivo, o que significa viver. A resposta à qual chegou é que todo o ser vivo faz tudo não para se conservar, mas sim para crescer, para se expandir, para dominar. A sua definição de vontade de poder engloba ainda, como sinónimo de crescimento para o mundo humano, o criar, o valorar, o fundar novas instituições de pensamento.

Para o pai de Zaratustra, a essência da vida é a vontade de expansão e intensificação da vitalidade. O conforto, a paz, a paciência, a estagnação, são para Nietzsche sinónimo de decadência, não de sobrevivência. Aliás, através do seguinte exemplo podemos dar razão a Nietzsche: alguém que está bem-alimentado e não corre perigo de vida, tal como um preso ou nós mesmos depois de uma boa refeição, ainda assim procura ter mais influência no seu meio ambiente, procura o novo e o desconhecido, procura ser especial em relação a um grupo. Os seres humanos não procuram de todo conservar-se, mas sim diferenciar-se, ver o seu poder aumentado. O mesmo ocorre com todos os seres vivos, pois muitas vezes os animais sacrificam a vida pelo domínio no seu grupo; as plantas também procuram as alturas, para receber mais luz do que as suas companheiras.

Quando tomamos como único objetivo da nossa existência a conservação da vida, aí Nietzsche vê degenerescência física e psicológica. Muitas vezes renunciamos a muitas coisas e vamos com a "corrente", isto é, com a opinião dos outros. Pensamos que essa nossa maneira de viver é virtuosa, calma, pacífica, mas na realidade, para Nietzsche, essa opção de vida é sinónimo de fraqueza, de incapacidade de liderar, de criar, de sermos nós mesmos. Para o filósofo alemão, não existe um "eu" em nós que decide e que é a causa das nossas ações, tudo o que existe são as próprias ações. As nossas ações tornam-se então signo de força ou fraqueza, de vontade de poder ou simplesmente de vontade de conservação.

Se a vida é vontade de poder, o que são então o altruísmo, a compaixão, a humildade? Nietzsche diz que essas virtudes cristãs são também vontade de poder, mas uma vontade de poder dos fracos: altruísmo como egoísmo (vontade de dominar alguém ainda mais fraco e que necessita de nós) quando não sabemos ou não conseguimos ser nós próprios, compaixão como fraqueza psicológica (e também vontade de dominar os fracos) e humildade como a estratégia que o fraco utiliza para conseguir suportar a vida e sair ileso de confrontos (tal como o verme se enrola para evitar ser pisado). Quanto à palavra «humildade» é preciso ainda tomar em consideração que pertence ao mesmo campo semântico da palavra «humilhação», embora tal facto seja desprezado nos dias de hoje.

Para Nietzsche a vida é o valor maior. Sendo assim, o que é bom, o que é viver de forma natural e saudável? É desejar a beleza, a saúde, a independência, a criatividade, a exuberância e tudo o mais que aumenta o nosso sentimento vital, que nos faz amar e desejar a vida; é compreender que a vida é trágica e absurda, e por isso mesmo nunca esmorecer nem desistir perante as adversidades; é ser duro, é lançar-se ao desconhecido e ao novo sem medo; é manter longe de nós a fraqueza, a decadência e todos aqueles que aparentam ser ressentidos.

A noção de vida como vontade de poder continua a ser uma das maiores bandeiras da filosofia de Friedrich Nietzsche. É um conceito refrescante, algo que pinta a vida com cores mais vivas e realistas. Quem compreender totalmente esta nova definição para a vida, vai ver o mundo de forma muito diferente: o idealismo colapsa e o sofrimento é afirmado, pois desejar erradicar o sofrimento do mundo é como querer erradicar a vida, é em boa verdade um atentado contra a própria vida, é um desejo que nasce do ódio e da fraqueza.
publicado por Dicas, Informações e Oportunidades às 22:53

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