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Nov 13
Pilatos perguntou a Jesus Cristo: "O que é a Verdade?". Essa pergunta não deveria ser tomada como uma exigência de resposta, mas talvez como uma suspeita sobre a própria palavra «verdade». Nietzsche perguntou certa vez "será a verdade uma mulher?", pois todos os homens andam atrás dela como andam atrás das mulheres. Tal como Nietzsche, será que já perguntamos aos nossos botões o que vem a ser isso da verdade? Porque queremos a verdade e não a mentira? Qual a origem do conceito de verdade? Será obrigatório existir uma resposta para uma pergunta por demais humana? Se virmos bem, os animais não parecem muito preocupados em descobrir a verdade; eles estão mais preocupados em viverem. Será o nosso cérebro superior com vista a descobrir o funcionamento da natureza ou com vista a viver mais e melhor, isto é, viver mais intensamente? O cérebro humano desenvolveu-se para se entender a si mesmo? A verdade é algo que exista? E caso exista, será algo que deva ser atingido pelo cérebro humano? Não será a verdade um brinquedo humano, uma criação para ocuparmos o nosso tempo?
publicado por Dicas, Informações e Oportunidades às 23:30

Quando Jesus revela-se como "O caminho, a verdade e a vida", ele nos passa todas as lições para a sobrevivência da espécie humana.

Jonas a 2 de Janeiro de 2014 às 12:31

Sempre, mas sempre, que reclamei pela verdade tive como retorno uma pergunta que jamais me tinha passado pela cabeça fazer. Eu não quero saber o que é a verdade: eu quero a verdade! Quero que não pensem três vezes antes de me dizerem o que desejo saber para me responder aquilo que quero ouvir, o que é mais conveniente, o que anula qualquer espécie de risco. Quero a verdade, não a imagem dela porque essa tenho-a em Cristo.Sem o sorriso que defende nem o silêncio que desarma. Não nasci com essa sagacidade e, graça a Deus, nunca vivi entre gente que me a ensinasse!
A verdade tem que ver com o amor. Não se mente a quem se ama, mesmo que tenhamos que dizer a menos conveniente das verdades. A diferença é que o fazemos com cuidado, com amor, com atenção aos sentimentos e à sensibilidade do receptor. Mas, porque amamos, é-nos impossível ver quem amamos viver na e da mentira. Sem que isso anule ou reduza o amor que lhe temos.
Amei e amo com sinceridade. Mas nunca amei ninguém, mesmo ninguém, mais do que a Deus! E é messe a amar a plenitude da Verdade que reside, para mim, a divindade de Jesus!
Não associo Jesus à moral. Acho isso uma quase heresia, A moral é uma coisa dos homens que, como disse uma vez Marlon Brando, "é uma questão de geografia". Eu acrescentaria mesmo que é uma questão de disponibilidade social. Para quem não leu "O Altruísta" de G.B.Shaw mas viu o belíssimo filme nele inspirado - "My fair Lady" - lembrar-se-á do diálogo entre o pai da Elisa e o Prof. Doolittle ( or "do nothing"...) em que o primeiro recusa os pomposos conselhos de Doolittle e do Coronel porque lhe falta tempo e despreocupação para adoptar a moral burguesa. Não tem nível de vida para tanto. A moral - à qual Jesus nunca se refere directa ou indirectamente - é a ordem de vida dada a um povo, neste caso o povo judeu, para que ele se organize e se una e viva segundo ela. Não é mundial e, muito menos, universal.
Creio que todos nascemos com uma moral intrínseca - que não é, nem de perto nem de longe, a do "bom selvagem" do Rousseau - mas que está na essência do que somos, na participação de O que nos deu o ser e que quase sempre, se não sempre, é destruída ou abalada de tal forma pela educação que nos coloca - a uns mais do que a outros...- no caminho da dúvida. A tal "duvida existencial" de que fala Descartes que tantas voltas lhe deu.
Jesus, para mim, na minha sensibilidade, não é uma figura a discutir.Nem sequer lhe chamaria "uma figura". Jesus é a essência e, por, isso, ele é divino.
Todo o homem traz em si a essência divina - e por isso deve respeitar-se, ser respeitado e respeitar o outro (não por uma mera questão "moral"!) - mas Jesus, porém, é a essência persistindo no tempo onde existe, e não uma existência portadora de essência. Creio ser essa a diferença entre ele e nós. A ele a "moral" não lhe fez falta! Não há para ele uma "educação" - apesar da tão propalada Sagrada Família - porque Deus o protege para que não desperdice o que traz nem se deixe contaminar pela sociedade que o vai rodear. Claro que a Família é importante como modelo - não dito por ele nem vivido por ele... - que a virgindade de Maria é exemplar - embora muitos ginecologistas tenham que ter desvirginado mulheres na altura do parto...- que S, José, de quem pouco se sabe mas que parece estar na moda, é o esposo fiel. Todos critérios morais, muito louváveis numa sociedade que os apregoa com o mesmo vigor com que os ignora. Mas isto não é Jesus! Jesus, como essência que permanece, renova-se parcialmente no existir de cada homem e por fim, quando a Existência se esgotar, a Essência renova-la-á, ressuscita-la-á.
Jesus trazia com ele e nele aquilo de que todos nós temos sêde: a sède da Essência!Mesmo quando deixamos que a Existência nos abafe...
A Igreja era para nós a fonte onde se ia mitigar essa sêde, onde se alimentava a esperança de que um dia essa nossa sêde seria satisfeita. Daí que o lugar de culto de uma esperança dessa dimensão devesse chamar a atenção dos homens para a Essência que nos dá o ser e é o nosso Deus, e que o tenha vindo a procurar fazer durante séculos com o o máximo de esplendor, procurando, através dos sentidos, atingir a sensibilidade ao Divino. Infelizmente não se tem vindo a mostrar digna da grande tarefa que lhe foi aposta...(cont)
petitprince a 25 de Julho de 2014 às 13:38

...como ia dizendo,
... a Igreja não tem vindo a mostrar-se digna da continuidade da tarefa que lhe foi confiada. Sempre, ou quase sempre, por razões ligadas à "verdade", ao poder de quem a consegue afirmar, sobrepondo-se a outras verdades. Não teria sido assim se prevalecesse a simplicidade dos evangelhos - especialmente o de João que privilegia factos concretos e dá respostas simples - e se sobre misteriosas parábolas que a distância no tempo torna ainda mais misteriosas porque a sua simplicidade se refere a momentos espirituais de uma miscelânea de culturas que se apoderam do ser que Jesus é e interpretam incluindo-o nas suas espiritualidades.
Desvendar, aprofundar e discutir o que era(é), quem era (é), a que vinha Jesus é uma das buscas de verdade mais apaixonantes se não, para nós cristãos, a mais apaixonante! Só que Jesus tem uma importância absoluta e tudo isto tem uma importância relativa! O importante é que Jesus foi, que Jesus é! É essa a única verdade que importa! Não há, na frase citada acima no comentário do Jonas, nada de concreto, nada de consumado: o caminho é seguir caminhando com ele, a verdade é acreditar que ele foi e é possível, a vida é o abandono, o afastamento, a relutância a tudo quanto é morte, tudo quanto em nós pode ser morte ou causa de morte. E isto nada tem que ver com moral! Tem, isso sim, tudo a ver com a essência do existir, Ou existimos para a vida ou existimos para a morte!
Tive - e tenho ainda, graças a Deus - um grande e velho amigo, sacerdote com provas dadas na área da cultura, que sempre me lembro de ouvir dizer que "todas as guerras são religiosas". Não penso assim, não consigo pensar assim e nem sequer consigo seguir o raciocínio dele por mais que me esforce porque as guerras são contra-relacionais. Mas não é difícil constatar que Igreja tem vivido sempre em clima de guerra, quer as evangélicas - de que João Paulo II pediu perdão . quer as múltiplas guerras intestinas que na sua máxima expressão deram origem aos vários cismas, e que, agitando uma rotineira vastidão, dão origem a aquilo a que estamos a assistir: uma Igreja divida que não se contenta com a influência que tem nos seus crentes mas quer ser ela própria Política usando, obviamente, os jargões da Esquerda, que ignora que Jesus já os dera a conhecer muito antes da revolução francesa mas que desejou que eles saíssem como um bafo de dentro de cada um de nós e não que nos tomassem de assalto desde o exterior, destruindo tudo, como Delacroix tão bem expressou na caminhada da Liberdade. Isto porque a liberdade, se imposta não é liberdade. Ninguém pode ser livre à força! E, se há coisa que eu tenha aprendido nos últimos anos, é que há muito quem não queira a liberdade porque teme não saber o que fazer com ela. E a liberdade e o medo não são compatíveis.
A Igreja - cujos problemas parecem ser tantos que imagino que seja difícil para o próprio Papa enumerá-los - tem nos sacerdotes o seu maior problema. Não por serem poucos, o que a Igreja tenta resolver (quanto a mim, mal...) delegando nos leigos certas acções -o que, para além de desorientar alguns sacerdotes, embora eles tentem não o mostrar, porque são em maior número e têm tendência a "inovar" e desagregar, especialmente depois das várias leituras a que submeteram as conclusões do Concílio V. II, o que obriga a que, estrategicamente, cada igreja tenda a ser uma Igreja e não "a Igreja", e que cada sacerdote pretenda, consciente ou inconscientemente, ganhar adeptos, não tanto para Deus mas para a igreja deles. Daí um clima de tensão entre as diversas facções que, infelizmente, parece tender a agravar-se.
Acresce que os sacerdotes já não são humildes como dantes acontecia serem em grande maioria. Salvo raríssimas excepções - colocados nas principais igrejas e basílicas de Lisboa - os sacerdotes vinham de famílias muito humildes e, para além de uma eventual vocação que dificilmente se descobre aos dez anos de idade, viam no ingresso nos seminários a única maneira de serem alguém. Muitos foram grandes estudiosos que souberam aproveitar o excelente ensino ministrado nos seminários e foram figuras marcantes do clero. (conT.)
petitprince a 26 de Julho de 2014 às 00:14

... Acontece que em Portugal, mais concretamente a seguir ao 25 Abril surgiram muitas vocações vindas quer da burguesia, quer da alta-burguesia - esta ainda com vínculo a tradições familiares - cuja disparidade cultural relativamente aos outros seminaristas era enorme. Muitos deles eram licenciados para os mais diversos cursos - uns eram cientistas (médicos, engenheiros, biólogos, etc.), outros formados em Clássicas (Direito, Filosofia, Línguas clássicas, etc) outros em Humanísticas (Economia, Arquitectura...) e, como consequência, todos tinham, tal como acontece com os fiéis que os seguem, diferentes perspectivas da vida, que não da Fé. Só que, sendo humanos, o conciliar do tipo de pensamento gerado por cada uma dessas áreas, não pode, de modo algum , ser fácil e exige uma humildade que pode ser encarada como derrota. Infelizmente, tal chega mesmo a acontecer entre pessoas da mesma área ...
Acontece também que os vários movimentos que foram surgindo e ganhando influência - frequentemente, para além da doutrina inicial exposta pelo fundador, por motivos identificados com várias formas de poder - a nível internacional e superando mesmo o poder de Roma. Também isto tem vindo a dar origem a uma ânsia de trepar na carreira - que de facto não é uma carreira qualquer nem deveria ser encarada como tal - e dá lugar a concessões, a pressões para aceder a lugares de confiança relativamente ao movimento, grupo, ou comunidade que os ajudou na subida. Nada disto, não sendo de modo algum novo, tem sido saudável para quem vê a Igreja como algo pro buono. At+e porque à volta de cada um desses sacerdotes se geram frequentemente comunidades autónomas, que chegam a ter na igreja o seu modo de vida, por vezes o modo de vida de famílias inteiras, o que seria perfeitamente aceitável - quem, melhor que um católico para servir numa instituição ou serviço da Igreja? - se não se passasse do mesmo modo e com os mesmos recursos, cunhas, e favorecimentos, que se passa cá fora. Tudo isto tem vindo a dar da Igreja uma imagem de que a Verdade - não a conceptualmente teórica, mas a autêntica - se tem visto arredada. Não é fácil hoje em dia - a menos que se tenha algum interesse ligado a ela ainda que não tenha nada que ver com ela...- sentirmos a Igreja como o tal espaço de gente apenas empenhada em encontrar nela a essência de Cristo e termos a pretensão, ainda que exagerada, de cada dia nos identificarmos mais com ela.
E, por fim, diga-se que a oração - repetitiva como as malhas de um crochet, mas que, como disse alguém, "enquanto se reza não se está a pensar ou a fazer o mal" . quando confrontada com o agir nas nossas vidas, e muito especialmente com os que mais rezam, se banalizou ao ponto de servir acima de tudo para que isso não continue a acontecer.
Terminando este longuissimo e abusivo "discurso", há que pensar que a Verdade não tem nada que ver como que se descobre ou com o que se aprende. A verdade é autónoma, pelo que não pode estar sujeita a ser posta em causa. A verdade é a Verdade! FIM
petitprince a 26 de Julho de 2014 às 01:04

"A verdade é autónoma, pelo que não pode estar sujeita a ser posta em causa. A verdade é a Verdade!"

Esse pensamento deixa tudo na mesma, deixa esse conceito disponível para ser utilizado por tiranos e enganadores. A verdade simplesmente não existe, é um conceito que vive só na cabeça dos homens. Sem a espécie humana, a Verdade desaparece da face da Terra!
Odisseia na Internet a 30 de Julho de 2014 às 18:06

Sem a espécia humano nenhum conceito haveria sobre a face da Terra! Nem mesmo o conceito de "terra". Sem a espécie humana - que se chamou assim a si própria...- nem estariamos a falar de Cristo...
Cristo disse ser "a Verdade" e ao dizê-lo, prová-lo e afirmá-lo, incompatibilizou-a com "tiranos e enganadores". O que não significa que eles não possam usar ou servir-se do conceito, do termo, da palavra, todas as vezes que lhes apetecer e até o façam com proveito próprio. Cada um faz o que quer! É isso a liberdade de que o próprio Deus usou muito antes de ela ter nome e ser utilizada pelos teóricos da revolução francesa, à mistura com uma série de preceitos ditos morais retirados do Antg Testamento.
petitprince a 30 de Julho de 2014 às 22:01

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